Thursday, July 16, 2009

Animación Mexicana


O México está presente no Anima Mundi com 12 produções, entre elas Nino de Mis Ojos e Jaulas, em cartaz nas mostras Panorama Internacional e competitiva . Seus diretores, respectivamente Guadalupe Sanchez e Juan Jose Medina, vieram do México para acompanhar o festival, e conversamos um pouco com eles.


Entrevista com Guadalupe Sanchez

Nino de Mis Ojos é a história de uma linda mulher que descobre ser o objeto de desejo de um pequeno homem (pequeno mesmo!) que aparece em seu apartamento. De inicio ela estimula a dedicação, mas tudo muda quando um dia um vizinho novo se muda para o apartamento de cima.


Pelo que diz a ficha, Nino de Mis Ojos é uma animação com técnica de desenho em papel, mas seu resultado visual é muito realista. Foram usadas referências fotográficas, ou mesmo rotoscopia na produção?

Guadalupe - Nós demoramos um pouco para definir qual técnica usar, porque a historia envolvia um personagem miniaturizado que não era um duende, um personagem de fábulas ou de fantasia – ele é de carne e osso. Portanto era muito importante que os desenhos fossem também realistas. Então decidimos usar a rotoscopia. O que nos deu um trabalho duplo, já que primeiro tivemos que filmar e, baseado no material obtido, fazer a animação (o que torna tudo mais demorado e mais caro). Mas ao avançar da história, com uma presença maior da terceira personagem, eu quis que a imagem real fosse “falhando” um pouco mais. A principio cada cabelo, cada traço era bem definido, e depois isso vai se diluindo... tecnicamente foi assim.

E quanto a esse personagem em miniatura, podemos vê-lo como um Gulliver no universo feminino?

Guadalupe - Sim. Foi uma experiência muito bonita ver o que a história representa para cada público. Para as crianças, era como Gulliver – eles ficam encantados! Eu como mulher, penso: sempre vemos gigantes nas ficções como Ciclopes, Godzillas, o próprio Gulliver... porque não uma mulher gigante? E é uma mulher em sua própria casa, o “intruso” é o pequeno homem. É um tema quase feminista... (risos)

É mais complicado exibir um filme que não seja claramente voltado para um público infantil? Nesse caso, com sensualidade, cenas de nudez...

Guadalupe - Um pouco. No filme tem uma mulher nua, uma cena de amor, o que torna mais difícil. A princípio, eu pensei que era uma animação voltada para adolescentes e adultos, e foi uma surpresa a aceitação das crianças. Elas também gostam, porque não vêem com malícia (até porque não há nada bruto ou violento no filme). E os adultos vêem com muito humor. Algumas mulheres brincavam no final da sessão perguntando “onde compro um desses?” (risos).

E como anda a animação no México hoje?

Guadalupe - O México tem uma produção de animação muito forte atualmente. Mas não há um espaço real para exibi-los. Nós estamos lutando para poder exibir nossos curtas em animação antes de filmes longas-metragens. Mas ainda não temos espaços para o formato, só em festivais. Outra opção é a televisão – mas as emissoras normalmente pedem para exibir os curtas sem pagar!

Então qual seria a importância de um festival só de animação, como é o caso do Anima Mundi, entre outros?

Guadalupe - Este é o primeiro festival só de animação que sou convidada. Como espectadora, está sendo muito interessante, pois pude ver trabalhos de muitos lugares. Me parece que a seleção aqui é muito livre, há filmes de todos os tipos. E também me encanta o lado lúdico do festival, com as oficinas, os estúdios repletos de crianças. Eu também trabalho com educação, e é muito interessante ver que uma criança aprende em uma tarde as bases de vários tipos de animação.



Entrevista com Juan Jose Medina

Jaulas conta como dois desajustados sobrevivem no deserto, e os segredos que escondem nesse ambiente hostil. Recentemente, o filme ganhou o premio de melhor curta-metragem em animação do do 24º Festival Internacional de Cine, de Guadalajara.

Sobre o que trata Jaulas?

Juan - O filme fala sobre dois personagens que se encontram no deserto e como eles agem de acordo com suas origens. O tema central é o abuso e a exploração infantil. A premissa básica é a de que um menino que sofre abuso e exploração acaba se tornando também um adulto explorador. Isso é tratado de uma forma metafórica, mais sugerida do que exposta.

E quanto a técnica usada?

Juan - É um curta de 10 minutos, feito em stop motion clássico. Os cenários são fotografias de diferentes desertos mexicanos, que sofreram tratamento digital e tranferencia para 35mm. Todos os personagens são inseridos usando tela verde.

Devido a essa temática forte, o filme encontrou algum tipo de restrição ao ser exibido?

Juan - Esse é o quinto festival em que Jaulas é exibido, e ele tem sido bem aceito, ganhado elogios da crítica. Eu não sei como vai ser em São Paulo, mas aqui no Rio creio que o público reage melhor a histórias que sejam mais divertidas, engraçadas, histórias bem amarradas. Acho que a resposta tão é tão positiva com filmes mais abstratos, com uma linguagem mais reflexiva. Acho que preferem os filmes mais festivos, ou cômicos.

Você concorda com Guadalupe, sobre o méxico estar vivendo um bom momento na produção de animação?

Juan - Sim, nos últimos 3 anos ocorreu um boom na animação mexicana, porque coincidiu com a produção de muitos curtas que fizeram sucesso fora do país. E tem uma geração nova se beneficiando das novas tecnologias, conseguindo produzir seus filmes com mais facilidade. O que é preciso agora é conseguir mais apoio, patrocínio para que sejam produzidos filmes maiores, longas-metragens.

Dos filmes que você conhece que estão no Anima Mundi, quais você recomendaria?

Juan - Acho que, juntando com os que já conhecia, consegui ver 80% da Mostra Competitiva e do Panorama. As mostras tiveram uma ótima curadoria, o público consegue encontrar filmes muito variados, linguagens diferentes, filmes para crianças, outros mais abstrados, experimentais, tudo dentro de uma mesma sessão de 1 hora. Recomendaria muitos, mas para citar só um, o episódio da série Wallace and Gromit, que já é um clássico.



Os cariocas já viram os dois filmes, mas os curtas ainda serão exibidos em São Paulo. Jaulas passa na sessão Curtas 14, dia 23 no Memorial Sala 2 às 17h e dia 25, na Sala 1 às 16h. Niño de Mis Ojos é na sessão Panorama Internacional 7, dia 22 no CCBB às 19h e dia 26 no Memorial Sala 2, também às 19h

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